Os matemáticos dizem que as chances são pequenas e que o Vasco deve mesmo cair para a Série B.
Será?
Quando Pai Santana estava neste mundo e entrava em campo e se ajoelhava sobre a bandeira vascaína, as chances seriam maiores? Ex-lutador e pai de santo, o massagista amarrava os principais adversários, benzia os pés dos seus craques e não tinha matemático para rebaixar o time dele. Ao menos era o que se imaginava.
As forças do Além sempre entraram em campo. Para o bem ou para o mal.
O técnico Duque – nos seus tempos de Corinthians – passava atrás da meta dos adversários fumando charuto e caprichosamente jogava os toquinhos que restavam dentro da rede. Era vitória certa do Timão!
Ainda pelo Parque São Jorge: teve vez que o velho Vicente Matheus se resfriou no Rio. Jogo decisivo, o macumbeiro contratado disse que a vitória só viria se a diretoria pulasse sete ondas em Copacabana. Mas tinha de ser de madrugada. O Corinthians perdeu e o presidente ganhou um resfriado.
Todas essas histórias podem parecer mentirosas, mas o que dizer do caso contado pelo zagueiro Oscar. O Oscar, capitão da Seleção Brasileira nos tempos do Telê Santana, craque do São Paulo?
Vejam só. O time também apelava para a ajuda do Além. E numa noite Oscar foi requisitado para entrar em campo à meia-noite. Mas não iria sozinho. Além do pai de santo, teria de convencer o companheiro Chicão a acompanhá-lo até o meio do gramado.
Chicão, aquele mesmo, Francisco Jesuíno Avanzi, o que não tinha medo de nada. O Monstro de Rosário, que enfrentou os argentinos na Copa de 1978 com a cara e a coragem. Pois Oscar convenceu Chicão, e os dois entraram em campo.
A missão não terminava aí: o pai de santo queria que Chicão desse uma cabeçada em um bode. Dizia que, só assim, o São Paulo passaria pelo adversário. “E o Chicão cabeceou o bode”, garante Oscar.
São histórias do futebol.
Acredite quem quiser.
Mas, voltando pro Vasco, que neste domingo recebe o Santos e ainda sonha com a salvação. Seria difícil juntar as artimanhas de Pai Santana, que se foi anos atrás, e o técnico Jorginho… Acho que o santo não bateria. Cada um tem suas convicções, seu modo de encarar o mundo… Bom, deixa pra lá.
(Com a participação do jornalista Roberto Salim.)